A Espiral do Feminino e a Grande Deusa Mãe

maeterra

“O culto à Grande Deusa, começou na pré-história e seu “fim” culminou com a Era Cristã e a Igreja Católica. Naquela época as sociedades eram matriarcais, ou seja, tudo o que acontecia girava em torno das mulheres, as tradições eram passadas de mãe para filha, as mulheres mais velhas eram extremamente respeitadas por sua sabedoria e conhecimento. Rituais eram feitos a cada estação do ano e a cada Lua Cheia, os quais asseguravam a própria vida naqueles tempos.

A Grande Deusa Mãe é o aspecto feminino de toda criação, ela é a Terra que nos dá abrigo e alimento, é a água que nos mantém vivos, é o ar que respiramos e o fogo que nos aquece. É a senhora dos mistérios e da magia. É a dualidade de tudo que existe no mundo, masculino e feminino, yin e yang, luz e sombra, positivo e negativo, o homem e a mulher, criação e destruição, vida e morte, ou seja, a Deusa está em tudo e em todos.

Infelizmente com o passar dos tempos e o avanço das religiões patriarcais, a Deusa foi relegada ao submundo e seus inúmeros rituais se transformaram em dogmas. Durante o longo período da inquisição, instituida pela Igreja Católica, inúmeras mulheres foram mortas acusadas de bruxaria. Porém podemos ainda encontrar diversos fragmentos deste culto em diversos países, culturas e crenças. Um exemplo bem conhecido em praticamente todo o mundo é o culto à Maria, mãe de Jesus, que inclusive é aceito por algumas religiões neo-pagãs.

A mulher é a maior representação da Deusa Mãe, já que seus ciclos podem muito bem serem representados pelas estações do ano e pelas fazes da Lua. A mulher é a maior detentora da criação, afinal, o que seria da semente se não fosse a terra para lhe dar abrigo, proteção e alimento? Assim é nosso útero, um local sagrado, que se prepara a cada mês para receber uma nova vida, que quando não é recebida se renova através do sangue para retomar o mesmo processo, mês a mês, até que uma nova vida seja gerada. A Terra segue este mesmo ciclo, na primavera temos a terra fértil para a plantação, o sol do verão ajuda a aquecer e fazer com que estas sementes brotem, no outono fazemos a colheita e no inverno aramos o campo para que na primavera ela esteja pronta novamente para continuar o ciclo.

Resgatar o Feminino é buscar dentro de si a consciência da existência da Grande Deusa Mãe. É perceber que a vida é um ciclo, que tudo tem um início, um meio e um fim, que cada fase da vida de uma mulher é sagrada, assim como cada estação do ano. É respeitar o tempo, entender que nem tudo está sob o controle de nossas mãos e que às vezes, é melhor deixar acontecer, mas também é perceber que a vida nos dá sinais de que algo não está bem e o melhor a fazer é encontrar uma solução, que na maioria das vezes não é bem o que queremos. É se aceitar como mulher, com seus defeitos e qualidades, é aceitar o seu corpo como templo sagrado, que abriga a alma, uma das maiores criações da Deusa e que nos faz ser quem somos. É principalmente, compreender que somos uma representação da Deusa e cada uma de nós é uma parte dela.

Ser mulher é ser uma parte da Deusa aqui na terra, Ela está em nós e nós estamos Nela. O universo e a Terra seriam um grande vazio se não fosse por sua grande força de criação. Todas nós somos Deusas e temos uma profunda ligação com a Terra.” 

por Nuish Bellaluna

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *