Jornada de Mãe

mae-de-primeira-viagemDesejei ser mãe desde cedo, mesmo de forma inconsequente eu acho. Imaginava um grande castigo não ter filhos.

Imaginei uma menina, um casal talvez, mas sem respeitar muito meus planejamentos, a vida foi acontecendo da forma que ela queria, não eu. Passados mais de 2 anos de um aborto espontâneo veio a alegria da gravidez, complicada, de risco, mais aconteceu e vingou.

A Kamissy foi meu primeiro grande desafio na vida. Que medo meu Deus, de machucar aquele serzinho, de não dar conta dos cuidados, de não ser boa o suficiente. Mas a natureza feminina e materna foi aflorando em mim e não demorou eu estava mais segura e confiante entre fraldas, mamadeiras e vômitos de refluxo.

Tudo mudou completamente, minha cabeça, minha vida, meu corpo, meus sentimentos, minhas ações. Muitas das infantilidades e inconsequências se foram mas também grandes incertezas surgiram. Como seria? E o futuro?

No dia a dia a gente vai se questionando menos e agindo mais, assim, os dias, semanas e meses foram acontecendo e a vida fluindo, e aquela grande alma naquele pequeno corpo, começou desde os primeiros dias a me ensinar, em um curso intensivo, sobre a vida e seus parodoxos. O primeiro deles que eu era capaz de tudo por ela e segundo que eu cometeria grandes enganos pelo mesmo motivo!

Sem saber muito como rsrsrs, a vida me pregou uma de suas peças, e quando percebi estava grávida de meu filho Kauã. O medo foi muito maior, eu já conhecia aquele amor e responsabilidade, e agora eram dois. Ela tão pequena mas tão altiva, esperta que me faltavam horas no dia. Ele foi chegando, do jeito manso mas certeiro que o caracteriza, e alguns pequenos sangramentos e a pressão alterada o trouxeram antes do tempo pro nosso mundo.

Outra grande alma num pequeno corpo, gosto de brincar que na minha casa tem muito chefe pra pouco índio, ele me ensinou que tudo tem seu tempo, mesmo que não seja o meu tempo.

Dois bebês, o marido, o trabalho, a casa e as vezes eu até conseguia lavar os cabelos e ficar 10 minutos no banheiro sozinha.

Que saber? Hoje nem parece que foi tão desafiador rsrs Eles cresceram tão rápido que me assustou, nem sempre eu sabia o que fazer, e entre instinto, intuição e ação valeu quase tudo para vê-los bem. Ah! as vezes que eu meti os pés pelas mãos foram muitas e muitas, aquelas em que o coração foi maior do que eu e eu os amei incondicionalmente também .

Olhando, desse local que me encontro agora, sei claramente, que talvez eu cometeria muitos dos mesmos erros novamente, gosto de pensar que aumentaria meus acertos, mas não tenho dúvidas e nem desejo negar, que a vida deles na minha vida, me permitiu, repensar cada uma das minhas opiniões e certezas, de modo que descobri que muitas delas nem eram minhas, eram só conveniências e costumes. Por causa deles, me sinto muito mais eu, muito mais verdadeira e íntegra.

Entendo agora, escrevendo essas linhas, que o castigo que eu imaginava,de não ter filhos, era o de perder essa chance e oportunidade de crescer através e com o outro Ser.

Sei que mulheres que não tem filhos encontram outras formas de fazer o mesmo. Mas a minha receita de evolução e aperfeiçoamento passava por eles.

De uma forma muito verdadeira e num sentido muito amplo, o amor se mostrou e transfigurou minha existência, mostrando facetas da minha alma que eu não vislumbrava, me permitindo ReViver e ReMoçar meus ideais e idéias.

Eu agradeço por ser Mãe e a meus filhos eu honro pelos ensinamentos que me trouxeram.

Com amor,

Mamãe

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